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LANÇAMENTO: 30 de junho de 1952 
DIREÇÃO: Gene Kelly e Stanley Donen 
ROTEIRO: Adolf Green e Betty Comden 
ELENCO: Gene Kelly; Donald O’Connor; Jean Hagen; Debbie Reynolds...

 

SINOPSE: Don Lockwood (Gene Kelly) e Lina Lamont (Jean Hagen) são dois dos astros mais famosos da época do cinema mudo em Hollywood. Seus filmes são um verdadeiro sucesso de público e as revistas inclusive apostam num relacionamento mais íntimo entre os dois, o que não existe na realidade. Mas uma novidade no mundo do cinema chega para mudar totalmente a situação de ambos no mundo da fama: o cinema falado, que logo se torna a nova moda entre os espectadores. Decidido a produzir um filme falado com o casal mais famoso do momento, Don e Lina precisam entretanto superar as dificuldades do novo método de se fazer cinema, para conseguir manter a fama conquistada.

 

AUTOR do TEXTO: Eliezer Lugarini

 

Não tenho dúvida, se porventura o IBGE ou o Datafolha resolvesse iniciar uma pesquisa sobre o gênero cinematográfico predileto da população brasileira, fatalmente os musicais seriam disparados os “lanterninhas” da competição. A cada dez pessoas, onze odeiam musicais. É incrível!

 

Tenho uma teoria própria, completamente estapafúrdia e sem a menor comprovação científica, de que, em geral, as pessoas sentem completa e absoluta vergonha em cantar e dançar em público. Naturalmente, como a tela do cinema ou da TV em geral é um reflexo do próprio espectador, não me espanta o fato de que um sujeito sinta a tal da “vergonha alheia” quando vê o ator ou atriz cantarolando e exibindo passinhos de dança pelas ruas sem o menor pudor ou constrangimento.


 

O sentimento de “vergonha alheia” comigo costumava aflorar especialmente em episódios de Malhação, depois dos meus 18 anos de idade, ou mesmo quando eventualmente o canal está sintonizado, por casualidade nada intencional, em Sex and The City ou Vestido Ideal - fico rezando para que minha mulher não chegue em casa, neste exato momento, e me pegue em flagrante. Todos já sentiram a “vergonha alheia”, mas, em musicais, eu mesmo nunca senti, talvez pelo fato de que eu simplesmente adoro cantar - não sei como fazê-lo decentemente, mas este é apenas um mero detalhe. Cantar e dançar são grandes libertações da alma, do estado de espírito e é, no fundo, uma forma de se distanciar do mundo real, exatamente a proposta da maioria dos musicais.

 

E “Cantando Na Chuva” é o ápice dos musicais! Se gosto não discute, tem algo que é indiscutível, já que Cantando Na Chuva é o melhor musical da história - sem o menor medo de ser feliz. “Cantando Na Chuva” é uma comédia musical lotada de acidez e graça, combinação muito complexa de se atingir, uma vez que aquilo que normalmente é ácido é ofensivo, enquanto aquilo que é gracioso costuma ser ingênuo.


 


Seu enredo é de certa forma uma afronta à indústria cinematográfica, uma crítica à ilusão que o cinema gera, ao mesmo passo que também é uma homenagem bastante singela ao próprio cinema. Absolutamente tudo em “Cantando Na Chuva” é uma mentira deslavada. E todos que fazem parte do processo de cinema - seja por fazê-lo ou por apreciá-lo - têm a exata noção de que tudo ali é falso, irreal e também absolutamente encantador.

 

O número musical mais óbvio é o número de Gene Kelly, que dá título ao filme, ou melhor, inspirou a existência do filme, já que a música precede em pelo menos 20 anos o filme. Não há dúvidas que esta é a cena mais emblemática e lembrada na história dos musicais. E bem pudera, Gene Kelly é um monstro da dança, seus movimentos são absurdamente perfeitos e surpreendentes. Assim, ouso novamente dizer que Gene Kelly é o maior dançarino que passou pelas telas do cinema, ainda que pese o meu respeito e admiração por Fred Astaire, mas nenhum dançarino é, foi ou será tão carismático quanto Gene Kelly foi.

 

Outros destaques ficam por conta do musical solo Make ‘Em Laugh, protagonizado por Donald O’Connor, em seu papel mais marcante, ainda que ele tenha a primazia de ter interpretado Buster Keaton em O Palhaço Que Não Ri; “Good Morning”, já com a presença dos três protagonistas: Kelly, Connor e a novíssima Debbie Reynolds, com seus 19 aninhos de vida; e o mágico e fantasioso número “Broadway Melody”, em que Gene Kelly protagoniza um filme imaginado dentro do filme original, quando o rapaz do interior segue para Hollywood em busca da fama e glória. Broadway Melody é um abuso de cenários pintados à mão, diversas colorações e composição de cena esplendorosa, talvez seja o melhor número deste filme, ainda que sublimado pelo sucesso do magnífico solo de Kelly na chuva.

 

Pois bem, não creio haver necessidade de me estender, sabendo que qualquer coisa, além disso, seria retratar o óbvio. Tenho por mim que todos que chegam a este texto já assistiram a “Cantando Na Chuva”. Por isso, cogite reassistir a esta pérola do cinema clássico americano, que, pelo menos para mim, gera uma vontade incontrolável de sair dançando e cantarolando na rua, ou mesmo na chuva, doa a quem doer e cause “vergonha alheia” a quem quiser.

 

Observações:

Uma das críticas do filme é exatamente o fato da protagonista Lina Lamont (Jean Hagen) não utilizar sua voz na transição do filme mudo para o falado. E não é que Debbie Reynolds, a bela voz de “Cantando na Chuva”, é voz dublada pela cantora Betty Noyes. Gene Kelly e Donald O’ Connor realmente cantam todas as canções do filme.


TRAILER: https://www.youtube.com/watch?v=F5CVQ5asYtY

LANÇAMENTO: 17 de janeiro de 2019 
DIREÇÃO: Nadine Labaki 
ROTEIRO: Nadine Labaki 
ELENCO: Zain Al Rafeea; Yordanos Shiferaw; Boluwatife Treasure Bankole...

SINOPSE: Depois de fugir de seus pais negligentes e abusivos e cometer um crime violento, um esperto garoto libanês de 12 anos é condenado a cinco anos de prisão. Como protesto contra a vida que lhe foi imposta, ele processa o casal que o criou.

 

AUTOR DO TEXTO: Victor Oliveira 
LETTERBOXD: https://letterboxd.com/Victorio_32/ 
INSTAGRAM: https://www.instagram.com/victoroliveira_32/

 

Como demonstra a sinopse, “Cafarnaum” conta a história de Zain, um menino de 12 anos que sofre abusos de seus pais e vive numa situação de extrema pobreza.

 

A necessidade de indicar este filme é maior do que simplesmente gostar ou não, pois retrata a realidade humana que nós - entregues às nossas próprias rotinas e aptos, de certo modo, a ignorar a realidade torturante a nossa volta - não conseguimos perceber, na maioria das vezes. Se olharmos o mundo com um tom acinzentado e perspicaz, sem deixarmos passar os detalhes, conseguiremos ver o mundo que está por trás desse mundo que vivemos – podemos chamar de o lado B da sociedade ou, porque não, um plano paralelo. Assim, assistir “Cafarnaum” é levar uma facada incessante e dolorosa a cada sequência do filme, é sentir o peso do mundo desigual que temos.

 


 Nessa perspectiva, após assistir ao filme, fica a sensação do peso estrondoso que ele possui. Assim, não se trata de um filme que fala sobre viver, mas, sim, SOBREVIVER. É impossível assisti-lo e não se lembrar de diversas crianças que passamos algumas vezes na rua e que devem estar passando por situação similar.

 

Além disso, não tem como não se emocionar com a história de Zain. Apesar de ele cometer diversos delitos, não há como desvincularmos a necessidade de cometê-los. Zain é produto do meio, é resultado de um sistema sócio-educacional caótico e pronto para ruir. Cooroborando isso, embora a história se passe no Líbano e a intenção da diretora (Nadine Labaki) seja expor as questões sociais do seu país de origem (vi em algumas entrevistas dela sobre o filme), a grande facada no estômago é saber que essa realidade está presente claramente no nosso país e em diversos outros, que tentam camuflar a existência de tal realidade.

 


Quanto às atuações, elas estão IMPECÁVEIS. Não há o que se acrescentar ou retirar nas atuações advindas dessa belíssima obra. Todos os atores estão esplendorosos, em especial os que fizeram os personagens Zain (Zain Al Rafeea) e Rahil (Yordanos Shiferaw).

 

Portanto, “Cafarnaum” é um exercício humano de compreensão das camadas sociais e de percepção de nossa posição dentro dos meandros da sociedade. Ademais, pode-se dizer que é um filme VISCERAL, INTENSO, REFLEXIVO, IMPACTANTE e, acima de tudo, NECESSÁRIO.


TRAILER: https://www.youtube.com/watch?v=owtmu-YrfQQ

 
LANÇAMENTO: 18 de agosto de 1948
DIREÇÃO: Luchino Visconti 
ROTEIRO: Antonio Pietrangeli; Giovanni Verga; Luchino Visconti 
ELENCO: Antonio Arcidiacono; Giuseppe Arcidiacono, Venera Bonaccorso...

 

SINOPSE: Logo após a Segunda Guerra Mundial, um jovem pescador, junto com a sua família, se revolta contra a exploração que sofre dos seus superiores no porto de Catania, na Sicília. Eles então hipotecam a casa e fundam seu próprio comércio para tentar escapar dos patrões. Só que sem conseguir ajuda de ninguém, eles vão se deparar com muitas dificuldades, e descobrir que a realidade desse modo é ainda mais dura.

 

AUTOR do TEXTO: Ed Kalume

 

A Terra Treme é o segundo longa-metragem de Luchino Visconti. Apesar de não ser o primeiro filme do neo-realismo italiano, é considerado como um dos mais importantes e foi o primeiro que foi denominado como tal. Seu ano de lançamento, 1948, é bem significativo, por apresentar uma Itália que estava acabando de sair debaixo de um regime fascista.

 

O filme é um triunfo! Realizado na própria locação, por atores não profissionais, falado no próprio idioma local, não compreendido pelo público italiano, o filme é honesto, sensível, provocante - reza a lenda que os próprios pescadores escreveram algumas de suas falas. A saga de um grupo de pescadores explorados é apresentada de forma tão inebriante que nem dá para perceber os 153 minutos de projeção.

 


A Terra Treme centra sua história na vida de Ntoni, um pescador pobre que trabalha duro somente para comer. Toda sua família, ao longo de muitas gerações, vive explorada por comerciantes locais. Um dia Ntoni tem a ideia de sacudir o jugo, iniciando seu próprio comércio, tendo que lutar contra tudo e todos para manter a cabeça erguida.

 

O filme possui uma narrativa bem construída, direção impecável, fotografia deslumbrante. A câmera nos mostra planos impressionantes, mas, em momentos cruciais, há um corte para mostrar closes da reação dos atores. Apesar de não profissionais, o elenco tem uma interpretação brilhante, e aí reside um ponto que valoriza ainda mais a obra: os personagens são possuidores de um carisma que atrai o espectador para seu lado - vamos assistindo o filme e nos conectando com os pescadores sem perceber por quê.

 


Como todo filme neo-realista, “A Terra Treme” apresenta uma realidade dentro da ficção. A velha e trágica história do homem sendo explorado pelo homem, a dificuldade em mobilizar os oprimidos, o conflito de gerações e a vida regada a sofrimento são expostos. O filme não é político, também não tem pretensão de ensinar ou julgar quem-quer-que-seja, apenas apresenta a realidade como ela é. Poderia ser considerado uma espécie de síntese da corrente artística neo-realista.

 

Três afirmações marcantes:

 

"Na Sicília, o italiano não é a língua do pobre".

 

"O mar é amargo e o marinheiro morre no mar".

 

"Sempre o mesmo. Trabalhamos para nada. Sempre foi desta forma, desde que me entendo por gente".

LANÇAMENTO = 20 de dezembro de 2018
DIREÇÃO = Pawel Pawlikowski
ROTEIRO = Pawel Pawlikowski e Janusz Glowacki
ELENCO = Joanna Kulig, Tomasz Kot, Borys Szyc, Agata Kulesza...

 

SINOPSE: Durante a Guerra Fria entre a Polônia stalinista e a Paris boêmia dos anos 50, um músico amante da liberdade e uma jovem cantora com histórias e temperamentos completamente diferentes vivem um amor impossível.



AUTOR do TEXTO: Leonardo Lima
INSTAGRAM: https://www.instagram.com/leonardolima.sociologia/
LETTERBOXD: https://letterboxd.com/Bestflix/


O amor não se define; o amor apenas existe e se vive. Com essa definição, assumidamente pretensiosa até certo ponto, talvez se faça jus àquilo que o diretor polonês Pawel Pawlikowski quis trazer ao público, ao filmar sua mais recente obra-prima, “Guerra Fria” - uma ode às histórias de amor que sobrevivem a todos e a tudo, inclusive ao tempo.

 

Indicado em três categorias para o Oscar 2019 – Melhor Filme Internacional, Melhor Fotografia e Melhor Direção -, “Guerra Fria” se passa na Europa do pós-guerra, no período de 1949 a 1964, tendo como pano de fundo narrativo o contexto histórico marcado pelos conflitos ideológicos de então, particularmente o vivenciado por quem se encontrava no lado comunista da Cortina de Ferro. Todavia, ao contrário do que as pessoas mais desavisadas poderiam intuir, o filme recorre ao termo guerra fria como título, apenas com o intuito de evidenciar a peculiar natureza conflituosa de encontros e desencontros, tensões e distensões do relacionamento entre Zula (Joanna Kulig) e Wiktor (Tomasz Kot).

 


Evidentemente, a fotografia em preto e branco, de contrastes fortes ao estilo barroco, que acentuam tanto a carga dramática e subjetiva do filme quanto à intenção do diretor em aproximar sua obra o máximo possível de uma perspectiva estilizada da realidade, sem dúvida é o grande destaque técnico de Guerra Fria. Tais nuances fotográficas também servem para conferir à narrativa em tela uma atmosfera de melancolia, em estreita sintonia com o reviver de memórias imperfeitas do passado, efeito este que é reforçado por Pawlikowski, graças ao uso de elipses  - ora breves, ora longas, entre os planos. Desse modo, ao público compete a tarefa de preencher os vazios constituintes desses saltos no tempo e no espaço, que, a bem da verdade, parecem simbolizar o próprio vazio existencial decorrente da efemeridade de cada encontro do casal.

 

Interessante notar como a música é transformada numa personagem com vida própria no filme, servindo para cimentar e potencializar dramaticamente a trajetória desse relacionamento atemporal. Do embalo da tradicional canção folk que resiste nos grotões rurais da Polônia ao cosmopolitismo cultural de Paris, as vivências e os sentimentos circunstanciais dos personagens são expressos de maneira intensa por meio da trilha sonora, sempre pronta a reafirmar que aquele amor, a despeito dos entraves externos para sua continuidade concreta, haveria de perdurar independentemente de ambos se manterem juntos fisicamente – algo que possui um significado impactante face ao final de inspiração shakespeariana da película.


 

Por fim, é impossível não destacar também a entrega e a autenticidade na atuação da dupla Joanna Kulig e Tomasz Kot, que juntos tornam críveis, em cada semblante e em cada movimento de seus corpos, a força do romance vivido por seus personagens, que nem mesmo uma explosão nuclear conseguiria se igualar em termos dos impactos reais gerados por toda uma vida.

 

A guerra fria dos tempos de embate entre os polos capitalista e comunista é coisa do passado. “Guerra Fria”, de Pawel Pawlikowski, porém, é a arte do fazer cinematográfico revelada de modo pujante e sensível, sabedora de que a forma e o conteúdo são facetas complementares que, se reunidas num amálgama perfeito, têm o poder de proporcionar obras-primas inesquecíveis para a humanidade.


TRAILER: https://www.youtube.com/watch?v=-kOYORgvljA

LANÇAMENTO: 25 de junho de 2014
DIREÇÃO: Ronit Elkabetz e Shlomi Elkabetz
ROTEIRO: Ronit Elkabetz e Shlomi Elkabetz
ELENCO: Ronit Elkabetz; Menashe Noy; Simon Abkarian


SINOPSE: Em Israel, os judeus ortodoxos só se separam após o julgamento de Rabinos e o consentimento do marido. Baseado em uma história real. Ela não mede esforços para conseguir sua liberdade.

 

AUTORA do TEXTO: Nana Pelissari

 

Todas as cenas compartilham o mesmo espaço: um tribunal que compreende um cenário seco e minimalista, composto por paredes brancas e mobílias estéreis. Do início ao fim, as sequencias seguem seu percurso dentro desse ambiente monótono, num ritmo compassado, marcado apenas pela indicação da passagem do tempo, demarcando as visitas ao local.



Trata-se de um filme denso, crítico, de atmosfera claustrofóbica e que expõe o surreal absurdo das desventuras de uma sociedade arraigada a preceitos machistas e efusivamente moralistas. A trama mostra a luta de uma mulher para se divorciar de um marido controlador a quem não ama mais. Apesar de não haver, a princípio, outros agravantes que justifiquem o pedido, ela deseja colocar um fim no seu casamento e, de acordo com as leis de Israel, a separação pode acontecer apenas com o consentimento do marido. Luta essa que segue se arrastando por 05 anos, o que soa angustiante. Assim, essa sensação de sufocamento é captada e refletida para o espectador, tanto pelos pontos de vista que a câmera nos coloca, quanto pela boa representação dos atores e construção dos diálogos.

 

Dirigido e produzido pelos irmãos Ronit e Shlomi Elkabetz, sendo que Ronit Elkabetz também atua como Viviane Amsalem, o enredo traça críticas a uma cultura e a uma sociedade. De maneira fluida, nos leva a questionar o quadro que entrega, sem maniqueísmos ou didatismos. Não trata nenhuma grandiosidade heroica, não fornece um contraponto de vilania, sendo sustentado de tal forma que a situação absurda parece gerada por um grande conjunto de erros e falta de bom senso que os mantém presos a uma realidade engessada, destoante da nossa vida moderna, sem deixar de dar razão e direito a sua protagonista ou apontar o quão distorcido, injusto e prejudicial é se opor a ela.



Tendo “Gett” como seu título original - termo que dá nome ao documento que efetua o divórcio entre um casal judeu - o longa vale a indicação, é muito bem construído, é atual e entretém.


TRAILER: https://www.youtube.com/watch?v=3pvG4slKi7E

LANÇAMENTO: 1972 
DIREÇÃO: Adrian Maben 

SINOPSE: O filme apresenta os Pink Floyd atuando num velho anfiteatro em ruínas em Pompeia, Itália, assim como gravações em estúdio e entrevistas à banda, quando da gravação do álbum The dark side of the moon. O 'concerto' foi gravado em 4 e 7 de Outubro de 1971 e apresenta a particularidade de não haver audiência.

 

AUTORA DO TEXTO: Thais R. de Freitas

TWITTER: https://twitter.com/Ruivaa?s=09

LETTERBOXD: https://letterboxd.com/thaisrfr

 

Quando música, filme e história se unem em perfeitas conexões de simetrias, tais elementos atingem um patamar quase ritualístico de elevação espiritual, devido ao perfeito encaixe! E é disso que venho falar a você, amante de cinema, sobre um certo filme da aclamada banda Pink Floyd - banda que nem é das minhas favoritas no rock, mas que a importância, trabalho e presença são indiscutíveis, não há como negar. Além disso, temos que reconhecer que suas maravilhosas investidas assertivas, no cinema, não deixam qualquer dúvida de resultado com qualidade, nos moldes do incrível!

 

Filmado em 1972, a película foi realizada nas ruínas do antigo anfiteatro da sociedade acometida pela tragédia do vulcão Vesúvio, fato no qual ocorreu a devastação da cidade de Pompéia, no ano de 79 D.C. Localizado a 22 km da cidade italiana de Nápoles, o cenário, para este curioso filme do Pink Floyd, foi sepultado pelas cinzas do vulcão por mais de 1600 anos. O Lugar, datado dos tempos do antigo Império Romano, foi reencontrado, em 1748, por acaso. E, a partir daí, passou a ser um local importante da história da humanidade. Declarada Patrimônio Mundial da Unesco, em 1997, é um dos pontos de maior visitação da Itália. O lugar é um mágico cenário para apresentação de gala da banda.


 


Com sua formação já sem Sydd Barrett - um dos fundadores - e com a entrada de David Gilmour - atuante no vocal e guitarra -, vislumbramos também os músicos Nick Manson – bateria -, Richard Wright - teclado e voz - e Roger Waters - principal letrista da banda e responsável pelos mais expressivos posicionamentos do grupo. Ícone da vertente Rock Progressivo, assistimos a apresentações de músicas da banda, passagens de divagações dos membros integrantes, imagens de estúdio, num período de transição, em que se distanciava do período mais viajante e psicodélico para um perfil pré-The Dark Side of The Moon.

 

Concepção do diretor Adrien Maben, o filme é fruto de uma parceira entre a TV Belga e a Francesa, filmado em outubro de 1971. Exibido em setembro de 1972, em 1974 foi relançado com cenas adicionais e uma versão do diretor por DVD foi colocada no mercado em 2003. São intercaladas cenas que mostram perspectivas do vulcão, suas lavas, pinturas e esculturas presentes nas ruínas históricas, transições com cenas dos músicos e outros elementos curiosos de composição do enredo. Quase 45 anos depois de seu lançamento, David Gilmour voltou a Pompéia para fazer novamente a experiência do show, só que, na apresentação mais recente, ocorreu a presença do público. Sorte de quem pode apreciar essa raridade!


 


Quanto à minha experiência a respeito deste título, digo que conheci o filme numa exibição comemorativa num dos canais da TV a cabo, entre os anos 90 e 2000. O efeito e o impacto de uma banda transcendental tocando em local mítico e para o nada, apenas com mais a presença dos técnicos responsáveis pela filmagem e produção, causa efervescência na alma.  O tamanho êxtase das cenas denota como é impossível sair inerte da experiência que é assistir esta obra de arte em forma de película. A influência é tamanha ao ponto de ter cativado em mim uma vontade de visitar as ruínas de Pompéia, só para conhecer o mítico anfiteatro onde a banda tocou. Nesse momento, o Pink Floyd já demonstrava os espectros da grandiosidade que estava por vir em termos de trabalho e amadurecimento musical. Um celeiro criativo vívido e arrebatador. A tal ponto, de fazer uma não super fã amar!

 

Sua estética cinematográfica, em conjunção com a linguagem musical, apresenta perspectivas de inovação em forma de expressão artística tanto para música como cinema. Portanto, temos importante obra a ser apreciada, com avaliação 8.7 pelo Imdb!

 

É bonito, lúdico, experimental e surreal! Uma viagem contemplativa reflexiva para além dos sentidos! É também o único filme capaz de mostrar toda a banda trabalhando junto em estúdio. Se optar pela versão do DVD de 2003, ainda pode assistir entrevistas e bastidores curiosos da gravação. Uma indicação de filme para Floyds maníacos ou não!  

 

Tracklist:

Filme para as TVs belga e francesa (1972):

"Intro Song"
"Echoes, Part 1" (do Meddle, 1971)
"Careful with That Axe, Eugene" (Lado B do single "Point Me at the Sky", 1968)
"A Saucerful of Secrets" (do A Saucerful of Secrets, 1968)
"One of These Days" (do Meddle, 1971)
"Set the Controls for the Heart of the Sun" (do A Saucerful of Secrets, 1968)
"Mademoiselle Nobs" (do Meddle, 1971)
"Echoes, Part 2" (do Meddle, 1971)


Filme no Cinema e VHS (1974):

"Intro Song"
"Echoes, Part I" (do Meddle, 1971)
"On the Run" (Arquivo de Estúdio) (do The Dark Side of the Moon, 1973)
"Careful with That Axe, Eugene" (Lado B do single "Point Me at the Sky", 1968)
"A Saucerful of Secrets" (do A Saucerful of Secrets, 1968)
"Us and Them" (Arquivo de Estúdio) (do The Dark Side of the Moon, 1973)
"One of These Days" (do Meddle, 1971)
"Set the Controls for the Heart of the Sun" (do A Saucerful of Secrets, 1968)
"Brain Damage" (Arquivo de Estúdio) (do The Dark Side of the Moon, 1973)
"Mademoiselle Nobs" (do Meddle, 1971)
"Echoes, Part II" (do Meddle, 1971)


DVD  - Versão do Diretor (2003)


"Echoes, Part 1"/"On the Run" (Arquivo de Estúdio) (Não creditada) (doMeddle/The Dark Side of the Moon, 1971/1973)

"Careful with That Axe, Eugene" (Lado B do single "Point Me at the Sky", 1968)
"A Saucerful of Secrets" (do A Saucerful of Secrets, 1968)
"Us and Them" (Arquivo de Estúdio) (do The Dark Side of the Moon, 1973)
"One of These Days" (do Meddle, 1971)
"Mademoiselle Nobs" (do Meddle, 1971)
"Brain Damage" (Arquivo de Estúdio) (do The Dark Side of the Moon, 1973)
"Set the Controls for the Heart of the Sun" (do A Saucerful of Secrets, 1968)
"Echoes, Part 2" (do Meddle, 1971)



 TRAILER: https://www.youtube.com/watch?v=15lsyXryreA

LANÇAMENTO = 12 de maio de 1928 
DIREÇÃO = Buster Keaton e Charles Reisner 
ROTEIRO = Carl Harbaugh 
ELENCO = Buster Keaton; Ernest Torrence; Marion Byron; Tom Lewis; Tom McGuire

SINOPSE: O capitão William Canfield e o John James King são adversários na luta pelo controle do transporte de passageiros em River Junction. A acirrada disputa entre os barcos de William e de John tem um agravante com a chegada de William Canfield Jr., filho do capitão: depois de começar a trabalhar com o pai ele se apaixona por Marion King, filha do rival.

AUTOR do TEXTO: Eliezer Lugarini

Sabe, sou de uma época que já não existe mais. Por gentileza, não insinue antecipadamente que sou um destes nostálgicos inveterados. E sim, esta é apenas uma observação a despeito das mudanças dos tempos. Vivemos a época do risco mínimo e da segurança máxima. Não questiono tal lógica, mas volto a dizer, cresci em outro mundo alheio a este que vivemos.

Comparemos uma criança em um apartamento dos dias de hoje com outra que viveu nos anos 80. Certamente a criança atual vai se deparar com telas de proteção, protetores de tomadas, saídas de incêndio, alarmes, protetores de escadas, chão acolchoado e aquecido obviamente, toma aulas de parkour quando pratica escaladas e por aí vai. Eu mesmo, quando criança, caía de árvores, pulava de alturas bastante consideráveis, escalava o prédio de 2 andares que morava, quando ficava preso, para fora, cheguei a tomar soda cáustica, engolia moedas e apenas aguardava o processo natural de eliminação, sem passar por lavagens intestinais ou qualquer outro procedimento (exceto no caso da soda cáustica).


A vida era assim! Os riscos eram menos calculados e tudo se levava de forma mais despreocupada quanto à segurança. No cinema, esta lógica não é diferente. Desde seus primórdios até os dias atuais, a preocupação, a respeito da segurança de todos que se envolvem com o cinema, tem gradativamente aumentado, de forma que chegamos aos dias atuais, em que basicamente tudo é feito por computador, para garantir que não haja danos a nenhum ator ou equipe de filmagem.

No entanto, é bastante corriqueiro encontramos no passado exemplos de pessoas que se machucaram gravemente ou até morreram durante filmagens de um determinado filme. Jackie Chan quebrou vários ossos do corpo, Bruce Lee morreu de tanto treinar, Tarkovsky e sua equipe morreram anos depois de Stalker ser rodado em uma área exposta à radioatividade.

Já, para Buster Keaton, o perigo era intrínseco à sua arte de fazer cinema. O tombo, para ele, era sua maior ferramenta e artifício de humor. Considerando o fato de que seus filmes foram rodados basicamente nos anos 20, entendo que sua preocupação com segurança era quase nula. Não à toa, ele caiu do topo de um prédio em As Três Eras, quebrou o pescoço em uma cena de Sherlock Jr e, em várias gags, se machucou com alguma gravidade.


Sem sombra de dúvidas, a cena mais emblemática e arriscada da carreira de Keaton está em “Marinheiro de Encomenda”, de 1928. O filme retrata a chegada de Buster em River Junction para visitar seu pai, dono de uma embarcação de turistas para visitação do rio. Buster se apaixona pela filha do rival de seu pai, o que gera uma dificuldade no relacionamento entre os dois. “Marinheiro de encomenda” tem uma história bastante simples, mas é na sequência do vendaval que encontramos seu grande valor artístico. Buster literalmente destrói toda a cidade com rajadas de vento e chuvas torrenciais. Casas desabam, carros são arrastados. Buster literalmente voa agarrado em uma árvore e uma casa é arrastada para o rio na seqüência final. Tudo muito bem orquestrado e com efeitos surpreendentes – claro, quando não se tratam de tomadas reais.

Mas a grande cena a que me refiro é quando uma casa de madeira desaba sobre Buster - que permanece intacto graças à única janela da construção. Buster calculou a queda da casa e onde seria o impacto da janela - marcou um “x” no chão e toque-lhe fogo. A casa pesava mais de uma tonelada e, até onde se sabe, todos no cenário sabiam da possibilidade da morte de Keaton na cena. Pessoas rezavam e muitos integrantes da filmagem se recusaram a presenciar a cena.

Não me coloco na posição de julgar Buster, mas o fato é que ele deliberadamente arriscou sua própria vida em nome da arte a qual ele acreditava - e este sentimento é louvável. Buster sobreviveu e seu filme também, muito graças a esta cena, que se tornou ícone de sua carreira.  Keaton já morreu, é verdade. Mas lembre-se que ele arriscou sua vida para que você possa se deliciar com uma cena memorável no maior conforto de sua casa, recheado dos mais belos aparatos que a tecnologia e a segurança da vida moderna te proporcionam. Por isso, leitor, honre a memória de Keaton e assista a “Marinheiro de Encomenda”.
LANÇAMENTO = 25 de setembro de 2007
DIREÇÃO = Lucia Puenzo
ROTEIRO = Lucia Puenzo; Luisina Troncoso; Natasha Braier; Sergio Bizzio
ELENCO = Inés Efron, Martín Piroyansky, Ricardo Darín...

SINOPSE: Alex nasceu com ambas as características sexuais. Tentando fugir dos médicos que desejam alterar a ambiguidade genital da criança, seus pais a levam para um vilarejo no Uruguai. Eles estão convencidos de que uma cirurgia deste tipo seria uma violência ao corpo de Alex e, com isso, vivem isolados numa casa nas dunas.

AUTORA do TEXTO: Vanessa Paiva

Como pouco se vê no cinema, o filme retrata com bastante sensibilidade a temática que envolve toda trama a respeito da intersexualidade, desde a pressão por pertencer a um sexo binário pré-estabelecido, ao preconceito e à violência sofridos em determinados pontos da trama, a curiosidade de conhecer mais e explorar a sua sexualidade e também a aceitação.

No entanto, isso não fica claro inicialmente. Assim, o filme dá pistas, com frases soltas aqui e outras ali, espalhando migalhas para que o espectador possa explorar o que está ali diante de seus olhos, deixando-o abstrair dessa experiência cinematográfica toda realidade que, a princípio, gira em torno da concepção do sexo feminino como primário, mas que te surpreende com a performance de Alex, ao ir contra toda essa heteronormatividade, quando se percebe intersexo.


Os pais de Alex têm expectativas e esperam que ele se adeque a um dos sexos que possui, pois há essa necessidade por parte deles, tanto que o personagem foi criado como do gênero feminino. Além disso, há o desejo, por parte deles, para que ele realize a cirurgia que a faça optar pelo sexo. A mãe se mostra angustiada, triste e preocupada com o futuro de Alex, já o pai é protetor, calado e até presencia uma cena em que ele se relaciona sexualmente com Álvaro - filho de um casal que está na casa convivendo com eles. Tanto o pai quanto a mãe esperam que ela seja mulher - há um diálogo do casal que impressiona ao exporem essa necessidade de ela ser normal.

Bom, essa necessidade de normalidade ou até mesmo que ela pertença a um padrão hétero, revela mais deles do que da personagem, afinal um casal hétero esperando que a filha corte um membro de seu corpo, submetendo-se cirurgicamente a essa ambivalência com o intuito único de ela se adequar a um padrão para um “happy ending for all”, é algo completamente avassalador, afinal, não há decisão simples. Há todo tipo de violência que envolve a escolha de Alex, tanto física, da tentativa de estupro na praia, à briga na peixaria, como emocional, com a pressão das pessoas ao redor para que ela faça a cirurgia.


O que é bastante interessante, a meu ver, é poder acompanhar de perto desde o momento do tratamento de transição até a decisão de interromper esse tratamento, abandonando essa concepção de que deve e precisa se enquadrar a padrões heteronormativos e ascendendo sua corporalidade e performatividade como uma pessoa intersexo. A quebra desse paradigma e o rompimento com o que é considerado “normal” ou “padrão”, por parte de Alex, mesmo diante de toda essa pressão, comprovam que esse filme foge a estereótipos.

Do primeiro ao terceiro ato, o filme tem essa sequência que percorre todos os aspectos intrínsecos e extrínsecos que permeiam a existência de Alex. Além disso, outro aspecto a se observar é como esse valor hétero é supervalorizado, principalmente nos diálogos, e como ele sufoca tantas outras realidades.

O filme é de fato um achado, gostei de ver que ele está na Netflix. É uma preciosidade do início ao fim, tirando esse excesso de protagonismo de diálogos que normalizam o sexo - talvez uma ponte que poderia ser construída fosse para ressignificar as experiências de personagens LGBTQIA+. Por outro lado, pode ser proposital os diálogos, vezes machistas, vezes homofóbicos, para expor a realidade de quem sofre esse tipo de preconceito. Vi 3 vezes e, com certeza, revisitarei. Uma excelente abordagem. Você não vai querer perder esse filme; prepare a pipoca e dê o play!

TRAILER: https://www.youtube.com/watch?v=pFTmunT0ujc
LANÇAMENTO: 22 de novembro de 1955
DIREÇÃO: Akira Kurosawa
ROTEIRO: Akira Kurosawa; Fumio Hayasaka; Hideo Oguni; Shinobu Hashimoto
ELENCO: Toshirô Mifune, Eijirô Tôno, Takashi Shimura...

SINOPSE: Velho empresário está obcecado com a ideia de que haverá um extermínio nuclear. A família conclui que ele já não é capaz de gerir os negócios e o afasta. Ele continua com medo e tenta convencer a todos a sair do Japão em busca de segurança na América do Sul, no Brasil. Nesta ocasião, ele mostra as vicissitudes de uma família numerosa com um pai obsessivo e sua obsessão com uma guerra nuclear.

AUTOR do TEXTO: Ed Kalume

Em 1955, dez anos após Hiroshima e Nagazaki, Akira Kurosawa realiza o primeiro de seus filmes que abordam a guerra e o pesadelo da bomba atômica. Seus outros filmes viriam bem mais tarde. São eles "Sonhos" e "Rapsódia em Agosto".

"Anatomia do Medo", no original "Crônica de Um Ser Humano", trata da deterioração do ser humano e da sociedade por causa do medo. Numa época em que o orgulho nacional ainda estava profundamente ferido e a incerteza com o futuro era real, graças à guerra fria, ninguém melhor que a sociedade japonesa para saber dos horrores que uma possível guerra nuclear a nível mundial poderia causar.


O filme cobre a vida e família de Kiichi Nakajima, um senhor de 70 anos, chefe de família, empresário, respeitado, organizado, trabalhador. Nakajima está, porém, fragilizado pelo medo, em estado constante de pânico, psicologicamente abalado por causa da devastação que a bomba nuclear havia produzido no Japão. Em seu profundo desespero, Nakajima estabelece um plano: fugir com sua família para um país distante, chamado Brasil. Lá, ele poderia viver em segurança.

Com essa premissa, Kurosawa expõe a ferida aberta, apresenta a situação de pânico vivida pela população, trata dos efeitos - não físicos, mas psicológicos - causados pela guerra e destruição. A sociedade japonesa é colocada em cheque: enquanto o velhinho é levado por um sentimento de autopreservação, amor e altruísmo, ainda que conduzido pelo medo, sua família é levada por um sentimento de cobiça, ganância e egoísmo. O que seria justo nesta situação? Toda a família se adaptar a uma nova realidade para atender a necessidade de seu patriarca enfermo ou seria esse patriarca que deveria ceder às necessidades de sua família? 


"Anatomia do Medo" é um filme intenso, impactante e que nos traz muitas reflexões. Um drama familiar duro, mas com muita ternura.

Se tudo o que foi dito até agora ainda não te convenceu, ainda tem a interpretação de Toshiro Mifuni. Esse camaleão tinha 35 anos quando atuou no filme, vivendo um velhinho de 70 anos... e ele está perfeito. Takashi Shimura também entrega uma interpretação perfeita. E Kurosawa, a gente sabe, não vive somente de filmes sobre samurais, muito pelo contrário.

Alguns diálogos e questionamentos do filme:

Dr. Harada: "Ele está louco? Ou estaríamos nós, que conseguimos ficar absolutamente impassíveis a um mundo insano?"

Dr. Harada: "Ele foi longe demais. Mas... não estamos preocupados com as bombas? Claro que estamos, assim como a senhorita Tamiya. Não está certo? Só que não estamos tão perturbados quanto aquele homem. Não construímos abrigos subterrâneos, nem planejamos nos mudar para o Brasil. No entanto, não podemos exatamente ignorar esse sentimento, podemos? É um sentimento compartilhado por quase todos os japoneses. Não posso justificar uma decisão leviana só porque ele foi longe demais. A coisa é..."

Kiichi Nakajima: "Por favor, eu imploro a vocês. Vamos para o Brasil, eu imploro. Todos vocês, como uma família. Você diz que estou iludido. Talvez esteja. Mas as bombas H realmente existem. A guerra pode estourar a qualquer momento. Se isso acontecer, será tarde demais, você não pode ir a lugar nenhum, então. Ainda podemos fazer isso, vamos fugir porque ainda podemos".

Sue Nakajima (filha): "Eu vou contigo, pai!" 
(Kiichi Nakajima desmaia) 
Sue Nakajima: "Papai! Papai! Papai! Papai! Papai!"