KOYAANISQATSI – UMA VIDA FORA DE EQUILIBRIO

By | junho 15, 2020 Leave a Comment


LANÇAMENTO: 27 de outubro de 1983
DIREÇÃO: Godfrey Reggio
ROTEIRO: Michael Hoenig e Ron Fricke.




SINOPSE: Um experimento cinematográfico, a observação reveladora e surpreendente da vida moderna e seus desequilíbrios.

AUTORA DO TEXTO: Thais R. de Freitas

Falar de um filme como Koyaanisqatsi, em plena época de pandemia, no ano de 2020, é no mínimo a convergência de múltiplos e facetados vislumbres de energia e de sentimentos que só uma película tão revolucionária poderia causar. Não é preciso falas, não é necessário mais que som e imagens.  Koyaanisqatsi, com uma tradução para o português que acresce de “Uma vida fora de Equilíbrio”, realizado em 1982, nunca foi tão perfeito para o nosso atual milênio e momento enquanto planeta neste instante. É a beleza do caos e desordem em busca de alguma direção.




Neste mesmo instante em que escrevo sobre a indicação desta obra, em pleno sentimento pessoal de ansiedade, incertezas, mergulhos internos profundos, a reflexão sobre este longa me permite apontar para a contemplação de emoções que nos assolam. Seja por fatores que colocam a existência em desarmonia e instabilidade ou por um futuro nebuloso sem horizonte de boas perspectivas.

Dirigido por Godfrey Reggio, em sua estreia no cinema, o longa levou quase 6 anos para ser realizado. É o primeiro de uma série de outros 3 filmes produzidos pelo diretor, intitulados como Trilogia Qatsi (referência à língua hopi), em que qatsi significa “vida”. É de longe o mais famoso e aclamado por público e crítica, tanto que chegou a ser referenciado no “Guia do Mochileiro das Galáxias” (2005), tem uma das suas músicas utilizadas durante cena de Watchmen (2009) e diversas imagens constam no videoclipe “Hard to Explain” do The Strokes. 

Agraciado pelo belíssimo talento de Ron Fricke na direção de fotografia, o telespectador é conduzido por 86 minutos de cenas que transitam desde a natureza, pessoas e a relação entre ambos. Não há narrativas que estabeleçam a personificação de personagens. Temos o experimentalismo em seu tom máximo.




O compositor Philip Glass trabalhou o filme musicalmente dividindo em estrutura de 12 sessões, com o uso de um tipo de música para cada momento que retratava. O trabalho dele com o diretor nos introduz a natureza, o homem e as cidades, para depois conectar tudo e realizar em tom direto de crítica da nossa convergência ao caos. Mostra coisas do cotidiano, reações pessoais, monumentos, alguns feitos icônicos, como o lançamento de foguete e a inserção da tecnologia na vida das pessoas. 

Assistir “Koyaanisqatsi – Uma Vida Fora de Equilíbrio” é uma experiência. A película nos imprime estado de grande transposição dos sentidos e efervescência da mente.  Sua contemplação é capaz de realizar a sucessão de críticas para nosso ritmo de vida e sociedade de consumo, na sutileza das coisas que consideram o mais belo estado de harmonização entre beleza e caos, velho e novo, o antigo e o moderno. É uma condescendência absoluta do reverberar as chagas do mundo, de maneira tão grande quanto o planeta é e sempre necessita ser percebido.

Foi indicado ao Urso de Ouro no Festival Internacional de Cinema de Berlim, em 1983, e, em 1984, chegou a ser vencedor do Festival de Cinema de São Paulo. Eis a dica de um filme para quem quer sair desta pandemia de 2020 mais consciente do seu lugar no mundo. Da nossa necessidade de rever as relações com o Planeta Terra. Garanto ser uma experiência única e incrível.

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