
LANÇAMENTO: 27 de outubro de 1983
DIREÇÃO:
Godfrey Reggio
ROTEIRO:
Michael Hoenig e Ron Fricke.
SINOPSE: Um experimento cinematográfico, a observação reveladora e surpreendente da vida moderna e seus desequilíbrios.
AUTORA DO TEXTO: Thais R. de Freitas
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Falar
de um filme como “Koyaanisqatsi”, em plena época de pandemia,
no ano de 2020, é no mínimo a convergência de múltiplos e facetados vislumbres
de energia e de sentimentos que só uma
película tão revolucionária poderia causar. Não é preciso falas, não é
necessário mais que som e imagens. “Koyaanisqatsi”, com
uma tradução para o português que acresce de “Uma vida fora de Equilíbrio”,
realizado em 1982, nunca foi tão perfeito para o nosso atual milênio e momento
enquanto planeta neste instante. É a beleza do caos e desordem em busca de
alguma direção.

Neste mesmo instante em que escrevo sobre a indicação desta obra,
em pleno sentimento pessoal de ansiedade, incertezas, mergulhos internos
profundos, a reflexão sobre este longa me permite apontar para a contemplação
de emoções que nos assolam. Seja por fatores que colocam a existência em
desarmonia e instabilidade ou por um futuro nebuloso sem horizonte de boas
perspectivas.
Dirigido
por Godfrey Reggio, em sua estreia
no cinema, o longa levou quase 6 anos para ser realizado. É o primeiro
de uma série de outros 3 filmes produzidos pelo diretor, intitulados como Trilogia Qatsi (referência à
língua hopi), em que “qatsi” significa “vida”. É de longe
o mais famoso e aclamado por público e crítica, tanto que chegou a ser
referenciado no “Guia do Mochileiro das
Galáxias” (2005), tem
uma das suas músicas utilizadas durante cena de Watchmen (2009) e diversas imagens constam no videoclipe “Hard to
Explain” do The Strokes.
Agraciado pelo belíssimo talento de Ron Fricke
na direção de fotografia, o telespectador é conduzido por 86 minutos de cenas
que transitam desde a natureza, pessoas e a relação entre ambos. Não há
narrativas que estabeleçam a personificação de personagens. Temos o
experimentalismo em seu tom máximo.
O
compositor Philip Glass trabalhou o
filme musicalmente dividindo em estrutura de 12 sessões, com o uso de um tipo
de música para cada momento que retratava. O trabalho dele com o diretor nos introduz a natureza, o
homem e as cidades, para depois conectar tudo e realizar em tom direto
de crítica da nossa convergência ao caos. Mostra coisas do cotidiano, reações
pessoais, monumentos, alguns feitos icônicos, como o lançamento de foguete e a inserção da
tecnologia na vida das pessoas.
Assistir
“Koyaanisqatsi – Uma Vida Fora de Equilíbrio” é uma experiência. A película nos
imprime estado de grande transposição dos sentidos e efervescência da
mente. Sua contemplação é capaz de
realizar a sucessão de críticas para nosso ritmo de vida e sociedade de
consumo, na sutileza das coisas que consideram o mais belo estado de
harmonização entre beleza e caos, velho e novo, o antigo e o moderno. É uma
condescendência absoluta do reverberar as chagas do mundo, de maneira tão
grande quanto o planeta é e sempre necessita ser percebido.
Foi
indicado ao Urso de Ouro no Festival Internacional
de Cinema de Berlim, em 1983, e, em 1984, chegou a ser vencedor do Festival de
Cinema de São Paulo. Eis a dica de um filme para quem quer sair desta pandemia
de 2020 mais consciente do seu lugar no mundo. Da nossa necessidade de rever as
relações com o Planeta Terra. Garanto ser uma experiência única e incrível.


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