O CAMINHO DE VOLTA

By | junho 12, 2020 Leave a Comment


LANÇAMENTO: 14 de maio de 2020
DIREÇÃO: Gavin O’Connor
ROTEIRO: Brad Ingelsby
ELENCO: Bem Affleck; Janina Gavankar; Al Madrigal...



SINOPSE: Um ex-jogador de basquete profissional perde sua esposa e sua família quando enfrenta a luta contra o vício. Ele tenta retomar sua alma e salvação ao se tornar o treinador de um diversificado time escolar.

AUTOR DO TEXTO: Victor Oliveira

Inicialmente, não há como não traçar um paralelo do personagem Jack Cunningham com a vida pessoal do ator Ben Affleck - que luta contra o alcoolismo há quase 20 anos. Assim, percebendo a atuação do ator no filme, sente-se que a participação dele no projeto vai além de um planejamento de carreira, servindo até como terapia pessoal e como exposição dos problemas decorrentes do vício e de tudo que pode estar intrínseco.

Nesse sentido, Ben Affleck é o coração do filme, dando uma verossimilhança ao personagem Jack que poucas vezes vi o ator trazer. O filme adentra na rotina de Jack para percebermos, sem diálogos, que há algo errado ou, ao menos, incomodo na vida dele – a rotina é demonstrada de modo tão contumaz que a presença de uma intermitência poderia até ser considerada um milagre. Assim, o alcoolismo excessivo, inicialmente, acaba sendo um instrumento de desconexão e de evasão dos pensamentos e sentimentos que preenchiam a sua mente, o que, mais uma vez, não há necessidade de diálogos para compreensão, pois os problemas de Jack são tão cristalinos que saltam aos olhos para preencher o espectador.




Contudo, no meio dessa rotina, como a própria sinopse deixa claro, surge a oportunidade, em razão de alguns acontecimentos, de treinar o time de basquete de um colégio cristão da cidade. A priori, baseando-se no trailer, acredita-se que o filme trabalharia, unicamente, a relação dele com os estudantes para que conseguisse superar os próprios vícios e tratar como um recomeço. Porém, a relação com os alunos é apenas pano de fundo para conhecermos ainda mais Jack e não necessariamente para criar uma simbiose entre ele e os alunos, como ocorre em filmes como Coach Carter ou Duelo de Titãs. Assim, a conexão com os alunos até existe, mas pouco, ou mal, desenvolvida.




Portanto, ao direcionarmos o foco exclusivamente para Jack, sendo sua ex-esposa Angela (Janina Gavankar), seu núcleo familiar e sua relação com os atletas instrumentos desse foco, o filme funciona muito bem, trazendo cenas muito bem dirigidas.

Entretanto, nem tudo são flores. O filme traz clichês de filmes americanos sobre esportes que incomoda bastante, tentando dramatizar elementos das partidas que já foram vistos diversas vezes no cinema, possibilitando que antecipássemos o plot que viria a seguir de modo tão perceptível que chega a afastar um pouco a conexão com o filme. Além disso, a execução das cenas das partidas de basquete é excessivamente picotada e robótica, perdendo qualquer dinamismo que se pode sentir, por exemplo, assistindo as cenas de partidas no já citado acima Coach Carter.

Além disso, apesar de não precisar - pois Ben Affleck, como já dito, estava muito bem no filme -, utiliza trilha sonora para gerar emoção em momentos que não precisava, fazendo o espectador mais exigente perceber que vai surgir uma trilha contemplativa para aquele momento do personagem, o que já é clichê em diversos filmes da indústria cinematográfica. 

Assim sendo, “O Caminho de Volta” é um filme que trata sobre o vício do alcoolismo e sobre as perspectivas e circunstâncias de quem vive tal problema, acertando em vários pontos sobre a temática. Porém, falha bastante ao retratar o esporte e a relação do treinador com os atletas e ao incutir trilhas sonoras clichês para tentar conquistar o espectador de modo desnecessário. Mas, ainda assim, é um filme recomendado e muito válido.  


REFERÊNCIAS



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