

LANÇAMENTO: 14 de maio de
2020
DIREÇÃO: Gavin O’Connor
ROTEIRO: Brad Ingelsby
ELENCO: Bem Affleck;
Janina Gavankar; Al Madrigal...
SINOPSE: Um ex-jogador de
basquete profissional perde sua esposa e sua família quando enfrenta a luta
contra o vício. Ele tenta retomar sua alma e salvação ao se tornar o treinador
de um diversificado time escolar.
AUTOR
DO TEXTO: Victor
Oliveira
LETTERBOXD:
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INSTAGRAM:
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Inicialmente, não há como não traçar um
paralelo do personagem Jack Cunningham com a vida pessoal
do ator Ben Affleck - que luta
contra o alcoolismo há quase 20 anos. Assim, percebendo a atuação do ator
no filme, sente-se que a participação dele no projeto vai além de um planejamento
de carreira, servindo até como terapia pessoal e como exposição dos problemas
decorrentes do vício e de tudo que pode estar intrínseco.
Nesse sentido, Ben Affleck é o
coração do filme, dando uma verossimilhança ao personagem Jack que poucas vezes
vi o ator trazer. O filme adentra na rotina de Jack para percebermos, sem
diálogos, que há algo errado ou, ao menos, incomodo na vida dele – a rotina é demonstrada de modo tão contumaz
que a presença de uma intermitência poderia até ser considerada um milagre.
Assim, o alcoolismo excessivo, inicialmente, acaba sendo um instrumento de
desconexão e de evasão dos pensamentos e sentimentos que preenchiam a sua
mente, o que, mais uma vez, não há necessidade de diálogos para compreensão,
pois os problemas de Jack são tão cristalinos que saltam aos olhos para
preencher o espectador.

Contudo, no meio dessa rotina, como
a própria sinopse deixa claro, surge a oportunidade, em razão de alguns
acontecimentos, de treinar o time de basquete de um colégio cristão da cidade. A priori, baseando-se no trailer,
acredita-se que o filme trabalharia, unicamente, a relação dele com os
estudantes para que conseguisse superar os próprios vícios e tratar como um
recomeço. Porém, a relação com os alunos é apenas pano de fundo para
conhecermos ainda mais Jack e não necessariamente para criar uma simbiose entre
ele e os alunos, como ocorre em filmes como Coach Carter ou Duelo
de Titãs. Assim, a conexão com os alunos até existe, mas pouco, ou
mal, desenvolvida.

Portanto, ao direcionarmos o foco exclusivamente para Jack, sendo sua ex-esposa Angela
(Janina Gavankar), seu núcleo familiar
e sua relação com os atletas instrumentos desse foco, o filme funciona muito
bem, trazendo cenas muito bem dirigidas.
Entretanto, nem tudo são flores. O
filme traz clichês de filmes americanos sobre esportes que incomoda bastante,
tentando dramatizar elementos das partidas que já foram vistos diversas vezes
no cinema, possibilitando que antecipássemos o plot que viria a seguir de modo tão perceptível que chega a afastar
um pouco a conexão com o filme. Além disso, a execução das cenas das partidas
de basquete é excessivamente picotada e robótica, perdendo qualquer dinamismo
que se pode sentir, por exemplo, assistindo as cenas de partidas no já citado
acima Coach Carter.
Além disso, apesar de não precisar -
pois Ben Affleck, como já dito, estava
muito bem no filme -, utiliza trilha sonora para gerar emoção em momentos
que não precisava, fazendo o espectador mais exigente perceber que vai surgir
uma trilha contemplativa para aquele momento do personagem, o que já é clichê
em diversos filmes da indústria cinematográfica.
Assim sendo, “O Caminho de Volta” é um filme que trata sobre o vício do
alcoolismo e sobre as perspectivas e circunstâncias de quem vive tal problema,
acertando em vários pontos sobre a temática. Porém, falha bastante ao retratar
o esporte e a relação do treinador com os atletas e ao incutir trilhas sonoras
clichês para tentar conquistar o espectador de modo desnecessário. Mas, ainda
assim, é um filme recomendado e muito válido.

REFERÊNCIAS

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